Docentes afastados diferem em burnout? Efeito do trabalhador saudável e implicações para critérios de inclusão em pesquisas
Resumen
O afastamento por problemas de saúde é frequentemente tratado como desfecho do burnout docente, porém muitos estudos excluem professores licenciados de suas amostras, sob a premissa de maior gravidade do fenômeno. Este estudo comparou os níveis de burnout entre docentes afastados/licenciados e docentes em atividade, à luz do modelo de Gil-Monte, e examinou diferenças em variáveis sociodemográficas, laborais e de saúde. Participaram 98 docentes da educação básica, que responderam ao Spanish Burnout Inventory e a questionários sociodemográficos, laborais e de saúde. Foram realizados testes t de Student e testes qui-quadrado. Os resultados indicaram ausência de diferenças significativas entre docentes afastados e em atividade nas dimensões de ilusão pelo trabalho, desgaste psíquico, indolência e culpa. Em contraste, docentes afastados apresentaram maior idade, maior tempo de profissão e pior autoavaliação de saúde, além de associações com presença de filhos, atuação em instituição privada e trabalho em mais de uma escola. Os achados sugerem que o afastamento docente se associa mais fortemente a fatores de trajetória profissional, condições laborais e saúde do que aos níveis de burnout propriamente ditos, reforçando a natureza social e multifatorial do fenômeno. Concluiu-se que a exclusão de docentes afastados pode levar ao viés de seleção ocupacional e diminui a representatividade dos estudos sobre burnout docente. Recomenda-se a inclusão desse grupo em estudos futuros e o desenvolvimento de políticas organizacionais voltadas à melhoria das condições de trabalho ao longo da carreira docente
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Citas
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